29 de outubro de 2014

Amanhã é outro dia, aprendi isso ontem.

"Há quem pense que as pessoas fortes não choram, não têm dias não, não se desiludem, não batem com a porta, não viram a vida do avesso. Que têm o coração, a alma e a pele diferente dos outros. Porque são fortes, aguentam. Mas alguém é menos forte quando chora? Qual é o problema de chorar? Qual é o problema deitar tudo cá para fora? Qual é o problema de dizer tudo o que nunca dissemos? Qual é o problema de querer ser tudo o que nunca fomos? E de querer ter tudo que nunca tivemos? Medo do que os outros pensam? Medo de sermos julgados? Mas quem é vive dentro de nós? Quem é que vive a nossa vida? Somos fracos quando mostramos tristeza, desilusão, mágoa? Chorar, sim. Sentir tristeza, sim. E desilusão. E mágoa. E vontade de gritar, de bater com a porta, de virar a mesa. Chorar tudo hoje e amanhã e mais um par de dias se nos apetecer. Dar-nos esse tempo de poder sentir tristezas, desilusões ou mágoas. Depois limpar as lágrimas, levantar o queixo, sentir a força retemperante do alívio. Arrumar tudo que não nos faz bem nas prateleiras mais altas de nós. Seguir em frente. Amanhã é outro dia e ninguém devia seguir pela vida triste, aos soluços, a chorar aos bocadinhos todos os dias (ainda que seja por dentro). Porque há muitas coisas boas que se perdem enquanto caminhamos de olhos postos no chão e enquanto choramos de olhos fechados para a vida, é verdade. Mas ninguém é menos forte quando chora, quando se sente triste, desiludido ou perdido. Ninguém."

Sofia Castro | às 9 no meu blogue

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