devia ser assim, devia ser simples. não é, e nunca mais vai ser. o Natal é consumo, dinheiro e correria. o Natal já não é tanto família, nem simplicidade. eu encanto-me com estes dias, porque nunca em todo o ano há tanta magia, tanta luz e tanta magia. (nem tantos doces). prendas? eu gosto, sempre gostei. e mais de dar, de ver os outros felizes. e não é pela riqueza das prendas, porque eu sou mais de gestos. coisas pequenas que criam grandes emoções e sorrisos. eu sou dessas, gosto mais de fazer pela minha mão, porque é isso que fica na memória, não são os luxos de coisas desnecessárias. importante é o amor. é não existirem pessoas sós, tristes e sem ninguém. é isso que me faz doer a alma, incompreender este mundo, estas pessoas que passam tão ao lado dos outros. nós temos de ser melhores, fazer o melhor pela harmonia do mundo. o nosso caminho é mais fácil se pensarmos só em nós, talvez. mas não é tão rico, tão preenchido, tão gratificante. o Natal que eu quero é este, todos felizes, todos reunidos. a paz parece um desejo curriqueiro, mas eu continuo a achá-lo o mais nobre de todos. ontem, encarnada de mãe-natal, dei um chupa-chupa a um menino que largou a mão do pai e correu para mim. deu-me um beijinho e disse: "foi a melhor prenda de natal que já tive, feliz natal para ti". e eu pensei, é assim tão difícil fazer alguém feliz? acredito que aquela tenha sido a única prenda que aquele menino tenha recebido. e pareceu-me tão crescido, tão adulto. queria-lhe dizer para sonhar, para lutar para um dia ter um Natal melhor. Entretanto chega um senhor e diz-me: "coitadinho, vive numa família muito pobre, é uma miséria", e eu digo-lhe: "mas é feliz". ele sorriu, encolhendo os ombros, talvez a matutar, talvez a rir do que eu havia dito. também eu fiquei a pensar, que a essência do Natal é isto, a simplicidade dos gestos. o amor que chega a todos.
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